Otaku no Musume-san! – Review com e sem Spoilers.

Na última semana de abril, eu peguei um mangá que achei por coincidência no TvTropes e por mais coincidência ainda, ele começa sua história em abril. E enquanto eu poderia colocar uma linda imagem poster na introdução, eu quero definir a você que não leu a música que você deve escutar ao ler os momentos importantes da série.

Nota: Como youtube tem o hobby de deletar videos que eu gosto, a música é Serenata Immortale.

Agora acho que pela primeira vez, vou segurar os spoilers para o final, então pela primeira vez aviso que você está a seu próprio risco depois da propaganda da série.

Recentemente, todos os meus posts são uma fúria de como um autor consegue pegar um conceito extremamente importante que se bem explorado, pode fazer uma série render diferentes formas de adaptações em uma série que pode ser tão longa quanto One Piece com Doraemon, e jogar esse conceito no lixo, criando uma série cheia de falhas, erros nos próprios personagens que ficam fracos a cada capítulo e palavra, sendo moldados junto com a situação para poder se encaixar nos conflitos do que o autor e os editores acham que farão a série melhor na próxima semana .

jackie-chan-meme

Então é comum eu me perguntar se eu que estou perdendo o gosto por mangás e animes, e pensar que tudo o que posto aqui não passa de um desabafo de um fanboy que se pergunta o por que ele está lendo isso ainda além de observar técnicas de escrita e desenho das quais provavelmente não desenvolvi.

Mais comum ainda é, apesar do meu interesse por qualquer coisa falando sobre os otaku japoneses, ao ver uma série com o nome de “Filha do Otaku”, eu esperar comédia, depressão, e termos e referências serem jogados aqui e ali como em Lucky Star só para nos sentir-mos em casa ou mostrar que o personagem é mesmo um da mesma forma que se eu falar um sinônimo de por do sol eu me refiro a vampiros de purpurina. Afinal pra mim, depois de Densha Otoko, todas as outras são caminhos percorridos no escuro que gradualmente vão nos decepcionando, eu estou olhando pra você, Genshiken, mesmo depois de grandes momentos e lições que carreguei, tiveram um final insatisfatório que parecia que o autor e o departamento editorial inteiro estava chapado, eu estou olhando pra você, NHK ni Youkosou.
Nota: A não ser que Kurosawa seja um Onani Otaku, ele não é uma exceção.

 E o quão errado eu estava...

E o quão errado eu estava…

É claro que, a série começa assim, mas você começa a entender que isso é mais para estabelecer personagens acima de tudo, e para garantir o leitor em uma série mensal que a única coisa a perder ali seria o fôlego por boas risadas, uma estratégia boa para uma revista da qual nunca é mencionada por aqui.

A história basicamente conta a história (históryception) de Kouta, um otaku em seus 26 anos que só transou uma vez, e justamente essa vez fez com que ele tivesse uma filha que foi apresentada a ele 10 anos depois quando sua mãe wtf precisa que alguém cuide da menina enquanto ela junta dinheiro nos trabalhos mais engraçados que você possa imaginar. A partir dai, Kouta e Kanau precisam se adaptar com a sua relação de pai e filha da qual nunca tiveram antes, enfrentar dilemas de como um Otaku deveria lidar com isso em uma pousada Otaku, E MAIS IMPORTANTE DE TUDO… Como manter a castidade de sua filha de um lolicon que mora no quarto ao lado.

 ...E eu não estou nem brincando.

…E eu não estou nem brincando.

Fim de introdução, vá ler o mangá, e se você ainda está em dúvida, simplesmente de uma clicada na tecla “End” no seu teclado e veja a nota que eu dei. Eu espero, pode ir lá ler o mangá… Deu? Ok, agora cala boca e leia:

A série não tem por onde começar uma critica, pois a história foi tão bem planejada que qualquer ponto leva a outro… o primeiro volume inteiro – basicamente o primeiro ano de publicação – foi feito de uma forma que tentou manter a história com leitoras servindo todas as partes um pouco, a história não pesa tanto, mas você sabe que tem potencial para assuntos mais maduros, e ao contrário de muitos, a série realmente faz isso acontecer.

Apesar de eu não ter nada contra toneladas de personagens, ao ter os resisdentes e colegas aparecendo cada vez mais, eu comecei a esperar que fosse apenas uma pousada com personagens engraçados e não explorados, apesar de idéias geniais, como Haruka falando nas costas de alguém, apesar de não tão explorado por conveniência, eu achei genial, e bem trabalhado no momento de crescimento da garota no volume seguinte, mas o que tive foi o mais surpreendente de tudo, se você parar para pensar bem, todos os personagens apresentados depois vem de alguma por relacionamento destes personagens, então você sempre tem um círculo fechado, você não precisa introduzir novas gerações como em Genshiken, e mostra para slices of life o quão boas histórias podem vir se você souber explorar o grupo inicial que geralmente fica um fardo na história onde o autor é forçado a manter esses personagens quando algo muito melhor está a frente.

Pegue Tenjou Tenge por exemplo, em apenas três meses no mundo deles, o que era um simples campeonato de luta duma escola muito louca, o que já era um conceito legal, virou um conflito de famílias de lordes da guerra japoneses assombrado por um único cara com a personalidade de uma pedra que tenta alcançar a perfeição a gerações, e para explicar isso, temos anos de publicação de flashback da qual tentam aprofundar uma ponta do iceberg que são os protagonistas por apresentar dezenas de personagens com suas próprias motivações que vem de outro flashback de 500 anos atrás com suas motivações pouco esclarecidas além de “é guerra e precisamos salvar o mundo”,  e nesse ponto, você já nem lembra o por que tal campeonato é tão importante e você tem sorte se você lembrar de metade dos personagens do primeiro flashback ou simplesmente estranhar alguns agirem diferente sem explicação, enquanto simplesmente poderiam aprofundar os protagonistas que são lembrados no último momento, e você não entende como eles amadureceram tanto quando você estava ocupado demais em flashbacks por anos e anos.

tenjo-tenge-1458532

Otaku no Musume-san fez isso certo, há personagens que precisam de flashback pois a resposta está no passado deles, mas a história é contada por eles, então isso limita a atenção ao redor aumentando o foco do autor, e ele fez a melhor coisa em um mangá: Personagens que podemos nos identificar.

É claro, eles tem alguns padrões ainda, mas nunca a história é mais importante do que a forma que ela é contada, os padrões são apenas um pé no chão para termos onde começarmos a ter uma noção de quem eles são, mas as causas são muito diferentes do que esperamos de um mangá. Você pode colocar a história em uma outra forma de mídia e se feito corretamente – afinal nós vimos as merdas que alguns live actions são – os personagens continuam sendo reais, as poucas coisas absurdas geralmente são feitas para humor OU de desempoderamento na situação para potencializar uma metáfora do que os personagens estão sentindo ou ao que presos, logo nunca criando muitas perguntas do por que não fazem isso ou isso.

2010-12-15-TAT-Aeris-Death

Esse ciclo fechado que raramente usa situações que precisam de personagens mas personagens que completam e fazem situações ao ponto de nas vezes que existem, você não nota ou não se importa, faz tudo parecer mais real, mais lógico, e pelo menos comigo nos últimos cinco capítulos me fazia parar a quase toda página e refletir sobre tudo o que aconteceu na série a importância de cada um, e peso que cada um ali tem e o quão eu sentiria falta se eles simplesmente desaparecessem como muitas séries fazem com o personagem do dia, não sendo necessário uma batalha final onde todos se ajudam em golpes, mas simplesmente na presença e em poucos atos, o que nos leva a um outro fator: Consideração.

UM MANGÁ EM QUE O PERSONAGEM SE TOCA DE TUDO QUE ACONTECEU É UM MILAGRE

“For every word we never spoke,
We have a tear to cry
For every silence like a wall between a better you and I”

Geralmente eu fico muito irritado com em uma série, o personagem ou esquecer o que aconteceu por amnésia OU por filha-da-putagem dos escritores, como em Naruto (Né, Naruhina?), Index e até mesmo Gantz, pois apesar de ser possível na vida real, em ficção cada palavra e gesto é importante, especialmente se você quer fazer o leitor se importar, se um personagem perde o desenvolvimento que ele teve, ele faz a construção que nos trouxe perto dele se afastar dele mesmo, isso gera fanfics que querem preencher esse vazio, e uma frustração grande pois o autor nos deixa com um pedaço de história, que a própria história esqueceu, em alguns casos, invertendo o papel de nós nos relacionarmos com o personagem para nós desejarmos que o personagem se relacione com o que sentimos por ele, e enquanto eu posso ver algum escritor usar isso genialmente para nós nos relacionarmos com um personagem que viu um amado esquecer de tudo, pessoalmente eu vejo isso resultar em finais insatisfatórios, que ao desabafar a pessoa sem querer conta o final da história, e não acrescenta nada na vida da pessoa, a série deixa de marcar, pois ao contrário dos personagens, o leitor simplesmente pode sair e viver a vida dele, no pior dos casos, até tendo uma memória ruim da série.

O que faz nós nos importarmos com a morte de um personagem ou qualquer outra coisa assim, são o que eles deixam para nós, a falta que eles nos fazem, nós não ligamos para quantos japoneses morreram com a F.L.E.I.J.A. em Code Geass mas ficamos emocionados com a morte de Lelouch, a frase “”A morte de uma pessoa é uma tragédia; a de milhões, uma estatística.” – (Joseph Stálin) vem do quão atenção essa pessoa significa, uma árvore que marcou a sua infância no seu quintal ser cortada vai te doer muito mais do que ouvir falar sobre o desmatamento na floresta, infelizmente.

Deus como essa única palavra me pesou.

Deus como essa única palavra me pesou.

Uma palavra pode valer mais que mil palavras. Durante a série a amizade desses dois acima sempre foi questionável ao ponto das ações do nosso lolicon favorito não parecerem ter uma determinação de certo ou errado, nós claramente vemos ele meio que resistir uma coisa a outra mas várias outras ações nos mostram que é o jeito folgado dele só fazer algo quando ele é ordenado, e depois dele dizer “Se quiser que eu me desculpe, você vai ter que esperar ela voltar […]” nos faz questionar se apesar desse jeito de visão não ser tão ruim, se ele realmente se importa com Kouta, se ele não vê seu amigo sofrer como algum problema dele. Sim, ele falou que queria os dois felizes mas ainda assim… nós só sentimos o peso quando escutamos essa única palavra, “Desculpe“, eu pelo menos fiquei com a mesma cara que o Kouta, e para um personagem que não teve tanto tempo exclusivo de cena obviamente para construir o conflito final, ver essa cena até o fim nos mostra o quanto ele passou durante a série, e se você não tentar ficar cavando as coisas, no momento você não consegue julgar ele.

Retirada do fardo.

Retirada do fardo.

Isso leva a outro ponto, as partes mais absurdas da série em um cenário real, como o conflito final, as doujins, até mesmo o cartão de contato, foi tudo muito bem planejado, melhor que o final de Avatar… , até os mais estranhos são feitos simplesmente a favor de uma única cena, e enquanto a primeira vista eu fiquei me questionando se o autor não se importava com as consequências do que ele fez, ele simplesmente tinha controle sobre tudo, e eu sinceramente me senti mal por estar tentando ser cauteloso com a série lá pelo capítulo 45, pois apesar de eu ter apreciado 90% de tudo, talvez esses 10% teriam vindo por relaxar e confiar no autor, mas gato escaldado tem medo de água fria.

Eu sinceramente gostaria de poder chegar para o autor e perguntar como foi todo o processo da série, afinal séries mensais sempre são mais planejadas, mas eu sinceramente não vi nenhum toque de editores, a série a todo o tempo se flui tão bem se você retirar uma opinião pessoal ou outra, e tudo fica perfeito no final, ele faz não nos preocuparmos tanto até aumentar a sensação no final com o pacing, nos distrai com os personagens e a única coisa que nos deixa é pensar no pior simplesmente para não nos decepcionarmos com a série, e então relaxar e se entreter conforme se lê.

 Mas ele nos deixou um pouco do seu toque...

Mas ele nos deixou um pouco do seu toque…

Para aqueles que dizem que Bakuman sempre visou mostrar o funcionamento da Jump (e até onde sei, muitas outras por comentários em omakes) e não o drama dos mangaka, eu vou deixar para comentar isso melhor numa review, mas só para dar início a uma conversa aqui: Tanto e arco do Hospital dizem o contrário. Em OnM, o autor nos mostra algumas coisas que eu sinceramente não esperava da série, falar muito sobre a produção de mangá, eu não esperava algo muito mais aprofundado do que Genshiken, mas foi mais alem em seus próprios termos, eles no mostra o que um autor tem que visar, se é o que é popular, se é o que é parte do autor, como isso o influência e como ele influência a série, e algo que não vimos em Bakuman sério, Nanamine não conta gente, como os leitores recebem isso, eu vou deixar para falar da Haruka depois mas… aqui vai um único paragrafo sobre como os leitores se sentem:

Vendo umas criticas de Crepúsculo, para dar risada, eu escutei comentarem que a guria chata é uma personagem tão vazia com o propósito da leitora preencher todos os buracos com sua personalidade, e como outras garotas na série são muito mais interessantes. Enquanto eu sinceramente não me sinto no direito de criticar crepúsculo além da zoação, eu posso dizer que isso existe, em eroges e outros sistemas de rpg onde você controla o personagem, independente de você poder fazer decisões ou não, isso te da espaço para a imaginação, e tem que ser medido com cuidado a não ser que você tenha uma estratégia de marketing como School Days.

s32

Agora com isso em mente, nós vemos o quanto os Otaku sentiram falta desse aspecto, afinal no comiket doujins o personagem as vezes nem tem face, entretanto eu não entendi eles se referirem a “O seu ego ser empurrado para mim”, é uma história, o narrador sempre teve o direito de fazer isso, seja ele um personagem ( o caso mais óbvio) ou não, cada quadro, cada imagem é um jeito de manipular e fazer o leitor pensar uma coisa, popular ou não, proposital ou não, e isso pelo visto foi algo que o autor passou, e eu sempre fui apaixonado por esses desabafos, foi o que me aproximou de Bakuman e até mesmo dos primeiros anos de Naruto onde via comentários do Kishimoto, foi o que me fez aguentar Suzuka e gostar muito da personalidade do Makoto Raiku.  E eu estou me segurando para não falar da Haruka e personagens…

Você é um Otaku?

Você é um Otaku?

Uma das mensagens que são passadas em séries Otakas é como uma pessoa não deve ser julgada pelos seus gostos, em Otaku no Musume eles fazem uma linha bem clara de que seus erros são feitos por você ser um idiota/patético, não por ser um Otaku, e enquanto eles não pegam leve com algumas criticas sobre fanatismo, a série nos mostra como uma pessoa ter uma dedicação é parte como ela é, e isso não significa que ela é uma pessoa ruim, isso já foi mostrado no capítulo da escola, depois mais explorado com as crianças do que com qualquer um, e foi a chave de ouro para o conflito final. O autor nos mostra como fugimos para um mundo melhor (não tão filosoficamente quanto os capítulos vintes de NHK) e que ainda assim devemos enfrentar os problemas da realidade, mas ainda assim, tentar abandonar ou fingir esquecer o que passamos e a solução anterior de nossos problemas é negar uma parte de nós, e estaremos fazendo o contrário em diferentes direções, fugindo da fantasia pela realidade, e nunca cresceremos se continuarmos fazendo isso, também nos mostra como muitos de nós não entendemos isso, Otakus ou Normais.

otaku-no-musume-san-2658669

Um grande exemplo disso sem dúvida é a própria Nozomi que no final acusara todos os Otakus com um ar de superioridade, quando ela estava fazendo exatamente a mesma coisa que ela os acusava, fugir. Ela não conseguiu assumir uma responsabilidade a série inteira, pensando apenas nela, ela nunca se importou com as pessoas que ela amava, apenas com a esperança de satisfazer algo que ela mesma não sabe como preencher.

Mesmo quando ela superou o que aconteceu com o Chihiro que ela nunca se importou com o que ele sentia, ela não quis nem pedir ajuda para Takurou para curar seu próprio filho, o que gerou todos os problemas ali. Ela não quis nem pensar em deixar Kanau viver nas duas casas e até jogou isso na cara dela várias e várias vezes com sadismo. E no final, você apesar de odiar tamanha arrogância, se parar para pensar, ela é meramente digna de pena.

Ohana

Ohana

Como se era de esperar, a história passa vários e vários conceitos sobre famílias diferentes.

Nós temos órfãos que ou não se importam ou queriam ter alguém relacionado por sangue.
Nós temos um homem que tem que aprender do nada a ser o pai de uma garota, aprender os fardos e motivações, e vemos o quão sua vida muda ao redor de uma pessoa que ele nunca tinha ouvido falar antes de bater na sua porta inesperadamente.
Nós vimos um outro homem que está determinado a manter sua família não importa o quão fodida ela seja, contanto que  ele ainda possa ficar com o filho dele.

Vimos um senhor de idade que foi um péssimo pai cometer muitos erros e ter uma mudança completa em sua vida como redenção, a tentativa de um legado em seu último esforço para ajudar sua querida neta, e como uma família tão corrompida ao ponto de nem ligar para uma criança com o tempo buscar a forma de compensar por ter tornado a vida de duas garotas um inferno, e como não conseguem se colocar na mesma categoria que o pai por se sentirem egoístas e você poder ver em seus olhos de que não importa o quão bom as coisas estejam, nunca será suficiente para concertar o que fizeram.

Temos uma família ideal para Otakus, de como a criação otaku não gera maiores problemas, apesar da garota se sentir diferente, como essa barreira é uma ilusão, é um conceito que não vem muito da criação, mas desenvolvido por todos nós a um ponto relacionado a alguma coisa.

Vimos um homem que não tinha ideia do que fazer, apenas que ele deveria fazer, e que apesar da estranha mudança de visão não explorada para termos uma surpresa, como tal menina de coração tão partido o aceitara de uma forma diferente, e o quão ambos modificaram a vida deles de uma forma que sozinhos não conseguiriam.

Uma família que por pequenos erros de como tratar uma irmã mais nova, isso fez com que ela se sentisse abaixo de amigos e familiares. Como ambas começam a melhorar após notarem os esforços depois de conversas, e tendo um relacionamento muito mais forte junto com um desenvolvimento muito grande de uma garota que nem parecia que iria receber muita atenção do autor.

Temos entre poucas famílias de figurantes, uma família rica onde até mesmo os personagens que a primeira vista pensamos ser irritantes, carregam lições valiosas se dermos ouvidos, e não são ruins, as vezes agem assim por falta de noção ou por necessidade de atenção.

Temos uma família mais comum apesar de não ser tão notada, feliz em geral, com um pai de família que é muito sábio, e que nos ensinaram que apesar de esforços não alcançados, eles sempre estarão ali observando seus amigos, e como a base de uma família não é apenas algo por sangue, mas a união de pessoas que se importam umas com as outras, que é a amizade.

E  vimos como uma família pode ficar mais unida conforme plantamos a oportunidade para tal… o que pode bater muito perto de casa quando entramos nesse assunto, e pode ser questionável conforme as nossas circunstâncias… mas… se possível, ao menos tentar entender pequenos motivos é importante… mesmo que como já observado acima, cabe a nós fazer tais escolhas, e é por consequência de todos simplesmente por existir que mudamos situações, e que temos que esperar que tais decisões sejam para o melhor, mas que devemos fazê-las, se queremos manter ou buscar a satisfação que desejamos.

Mesmo não me aprofundando a personagens pois se não narraria toda a história aqui… e não estou com muito tempo pra isso… infelizmente. Essa critica está ficando muito boa… não há nada que eu não possa reclamar?

Ah é, sonho, mas bem legitimo.

Ah é, sonho, mas bem legitimo.

Como filho único de um casal separado que nunca morou junto, e que nunca conseguiu imaginar um bom cenário onde os pais que até que se dão bem morarem juntos, eu talvez não seja a melhor pessoa para julgar, mas sinceramente, eu nunca consegui entender completamente Kanau. Apesar de ser a narradora, o que nunca importou pois não é contado pelo ponto de vista dela, ela é a personagem da qual eu menos me identifiquei empatando com o irmãozinho chato dela.

Eu consigo entender uma criança querer os pais juntos (apesar que eu nunca quis) depois de um divórcio, pois isso mexe direto com a única forma de vida que ela conhece até então, e é função dos pais assegurar causar menos dano possível nisso, e evitar brigar ou fazer a caveira do outro a não ser que a criança esteja realmente determinada a saber o que aconteceu. Agora, de longe esse não é o caso de Kanau. Enquanto ela se demonstra alguém madura muitas vezes, e eu entendo a imagem ideal de um pai lentamente mudar o conflito que isso causa, chega a ser irritante ela querer moldar o pai até mesmo nas coisas que ela não são relacionadas ao otakismo,  sério, vamos analisar os motivos dela:

  •  Sempre quis um pai.
  • Desde suas primeiras perguntas sobre vê-lo, sua mãe sempre disse que NÃO QUERIA VÊ-LO.
  • Mesmo depois de crescida, sua mãe sempre mostrou zero possibilidade de ficarem juntos.
  • Mesmo que ainda uma esperança inocente de ficarem juntos exista, ela não consegue entender o fato de que ela apareceu na vida do pai do nada, e condena o pai por gostar de uma garota que ele já gostava antes de saber que ela existia, condena por eles saírem, e me ignora completamente tais sentimentos de seu pai em nome da sua fantasia de como uma família deveria ser de um casal que terminou a 10 anos atrás.

Isso me irritou demais, meu medo sempre foi ele ficar junto com a garota que nem queria saber dele, mas Kouta sempre gostou dela, e como ele disse, não era um final tão ruim (antes de saber que ela nunca o amou), ainda mais se fosse para ficar junto com a coisa mais importante da sua vida, sua filha.

Quando veio os flashbacks da Taeko, eu esperava que fosse uma lição de moral para chegar no final e falar: Ô MENINA MIMADA ELA SOFREU MAIS, NUNCA TEVE UM QUE SE IMPORTASSE COM ELA DEPOIS DE TUDO, AGORA VÁ A MERDA E DEIXA ELES FICAREM JUNTOS.
E se não fosse as pesadas consequências no Kouta, eu ficaria muito frustrado com a série apesar dela ainda assim agir dessa forma, o que tornou o conflito final mais satisfatório ainda, pois ela começa a aprender as coisas, e no final ela se mostra até preocupada por seu pai não estar com ninguém, mostrando que ela realmente amadureceu, logo não estou decepcionado com isso, pois foi uma ferramenta para o final e o omake mas foi irritante.

Nota: E de certa forma isso faz parte da estranha “escolha” entre que só deve existir um tipo de amor, o que é estranho, mas aceitável devido as prioridades do conflito final.

Thanks for the Memories

Thanks for the Memories

  Considerações finais.

Enquanto o autor pode simplesmente trazer a word of god e falar que tudo isso está errado, foi a experiência que eu senti durante a série, em nenhum momento eu me senti entediado lendo ela, e Slice of Lifes geralmente conseguem ser chatos, talvez por o autor não saber como colocar um fim satisfatório na série, mas essa série me mostrou que mangás bons ainda podem ser feitos, mostrou até mesmo como poder fazer isso.

Infelizmente acho que o tema da série interessaria a poucos, especialmente se eu explicasse um pouco, afinal a história tem que ser contada da forma que é, então o leitor tem que ler para saber, e não isso não muda minha opinião de que um mangá tem que ser bom do começo ao fim.

Pelo contrário, só aumenta essa opinião, a série foi consistente, o final (junto com o Omake) nos mostra com poucas palavras o que pode acontecer, não nos mostra uma sequência, mas como parte da conclusão sem perder o clímax e a moral da história, que é personagens fazem sexo sempre de roupa,  os últimos capítulos me fizeram pensar o quanto eu sentirei falta desses personagens, mas o quão gratificante foi ver que o final foi melhor do que eu esperava, pois há sempre uma linha muito fina de como um autor pode ferrar sua série e como isso determina todo seu esforço durante anos, independente de ter sido bom na época, é por isso que eu não me preocupo em fazer notas por capítulos e então tirar uma média matemática, é como aquelas gincanas onde a última parte vale tudo, só que dessa vez, é justificável.

Eu não organizo o meu top 10 ou 5 a muito tempo, pois deve haver categorias em algum lugar, mas essa série com certeza superou Kurosawa, e em termos de personagens eu sinceramente estou para ver um mangá melhor. Ela carrega personagens fortes mesmo que eles passem pouco tempo conosco, nós conseguimos nos ver ou desejar ser eles em algum momento, algo muito raro hoje em dia que faz Kami Nomi ser agradável por zoar isso ainda tendo história.

Se você é um escritor ou um mangaka, qualquer coisa relacionada com histórias, aconselho pegar essa série analisar com cuidado, e refletir em como você pode construir algo, como não se dispersar da história, sendo ela fantasia ou não. Se eu souber de lançamentos no Brasil, eu vou comprar a coleção sem dúvida nem que ela custe 3o reais o volume.

O autor conseguiu cobrir tudo de uma forma muito interessante e para mim ele alcançou o 100/100 que ele mencionou,  mas esse valor de nota não vale aqui pra mim na Jogress, então aqui vai a minha nota para a série:

 Eu não poderia ter escrito melhor/10

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s